6 de fevereiro de 2015

Recomendação de saga: As Crônicas do Matador do Rei

Olá pessoal! Como estão? Este é o primeiro post da segunda administradora do Excesso de Tinta, e ela é realmente inexperiente. Enfim, aceitariam café? Alguma bebida quente? Qualquer coisa? Peço só que se setem e escrevam esse título aqui em algum lugar: As Crônicas do Matador do Rei, porque acreditem em mim queridos, se vocês esquecerem se arrependerão.

Primeiramente considero-me uma pessoa um pouco chata quando o assunto são sagas e trilogias do gênero fantasia, sejam elas distópicas, utópicas, românticas ou seja o que for. Minha postura se deve á recente explosão de livros seriados nos últimos cinco ou seis anos. Parece que em algum momento depois do estrondoso sucesso de Crepúsculo eles começaram a brotar do chão, das paredes, á cair do céu como se fosse chuva! Coisas incríveis vieram dessa onda repentina porém, depois de um certo tempo, comecei a achar todas as essas novas histórias muito parecidas e em razão disso criei certa aversão. Toda vez que alguém me mostrava uma série nova eu revirava os olhos e repetia: "Parece que já li isso em algum lugar..." MAS isso definitivamente não se aplica á incrível história de Kvothe, que eu vou logo adiantando, é um dos meus personagens favoritos de todos os tempos até agora.

Dois primeiros volumes da série
 Maravilhosamente escrito por Patrick Rothfuss, ou só tio Pat , o primeiro livro, O Nome do Vento apresenta o misterioso dono da hospedaria Marco do Percurso, Kote, quem ninguém imaginaria se tratar do lendário herói Kvothe, Sem Sangue. O próprio homem por vezes parece esquecer-se de quem é até a chegada de um insistente Cronista que propõe registrar a verdadeira história daquele cuja vida é uma colcha de retalhos entre a fantasia e a realidade.
 É a partir daí que o protagonista passa a narrar sua versão dos fatos. Começando pela infância com a família de artistas itinerantes, sendo radicalmente alterada por um acontecimento inédito e traumático que o levou á viver miserável durante anos para posteriormente entrar na famosa Universidade como um aluno brilhante. Seu relato então estende-se, acompanhando todos as inúmeras aventuras que o fizeram tornar-se uma inacreditável figura e ao mesmo tempo, um modesto dono de hospedaria.
fanart do conflito principal
Li o primeiro volume a cerca de seis meses, estou a caminho de terminar o segundo e, com toda a sinceridade do universo, eu  não poderia recomendar mais um livro. Imagino que eu gostaria dele se eu tivesse doze anos, vinte e cinco ou sessenta anos. A narração é cativante para não dizer incrível, fácil, dessas que nem se percebe que está lendo apesar da "densidade" da história ( O Temor do Sábio, o segundo volume, conta com quase mil páginas, é preciso ter coragem). Quando me dei conta já estava envolvida até o pescoço e não conseguiria deixar de ler nem que me pagassem.
 O livro se desenvolve em dois tempos diferentes, o passado do Kvothe, narrado em primeira pessoa, e o presente na hospedaria,narrado em terceira pessoa. As passagens são habilmente realizadas, de um jeito em que não fica entendiante ler uma delas, para avisar aqueles que, como eu, não apreciam esse tipo de construção. E diferente do que eu esperava quando encarei o gênero fantasia épica estampado nas sinopses pela internet, não é nada focado em mitos, e criação do mundo e diferentes seres e coisas típicas das sagas semelhantes. O centro é o complexo protagonista e pra mim isso é justamente o que torna As Crônicas do Matador do Rei uma série que vale a pena ler.
 Porque ele é realmente incrível e interessante. Conhecido em canções como um músico genial, ótimo arcanista (uma espécie de cientista também confundido com bruxo), amante habilidoso, assassino sinistro e um ladrão e ator competentes, Kvothe é multifacetado e não se encaixa nas preguiçosas categorias de herói, vilão ou bom e mal. Ele é uma bagunça organizada, as vezes o odeio mas na maior parte do tempo tenho vontade de tatuar a cara dele nas minhas costas.
evolução pokemón
E a melhor coisa com relação á ele, na minha opinião, é sua evolução, como aos poucos Kvothe toma consciência da própria ignorância, erra, acerta, acerta errando e surpreende a si mesmo, assim como um rapaz da idade dele faria, não importa o quão excepcional seja. Num universo de literatura juvenil repleto de eternos adolescentes ou bad boys bonitos e inúteis, Kvothe está em um patamar acima. Ele tem um objetivo e o persegue.
Porém, o universo no qual o protagonista vive é igualmente fascinante. Amo a maneira como a magia é tratada, os mitos, os nomes e o Chandriano, do qual não falarei porque acredito que é algo que deve ser descoberto lendo o livro mesmo. Mas adianto, porque sei que tem muita gente por aí que curte um romance, o Kvothe tem sim uma pretendente, várias, mas apenas uma em especial poderia ser considerada um par romântico. O relacionamento não é o que se poderia esperar de um que acontece entre pessoas tão jovens, o que não o torna inverosímel ou menos material pra shippar. É simplesmente um parte menor da história, que se desenvolve lentamente e vai se revelando mais importante aos poucos e que, segundo teorias e teorias, promete revelar inúmeras surpresas aos leitores.
As Crônicas do Matador do Rei é o tipo de história que te deixa com um monte de perguntas, quebrando a cabeça pra respondê-las e esperando ansiosamente para o próximo volume sair. São os livros certos pra quem deseja uma leitura divertida e simples na medida certa. O terceiro livro, As Portas de Pedra ainda não tem previsão de lançamento, mas A Música do Silêncio, uma side story focada em uma das personagens chamada Auri, já está nas livrarias.
Espero que tenham gostado e que gostem do livro também, e pra não deixar o post maior fico por aqui.
Beijos da Laura >3<

Nenhum comentário